quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Não acredito em amor à primeira vista

Eu tenho esse dom peculiar de saber quando alguém veio para fazer parte da minha vida. É como em uma série de TV na qual, logo quando um personagem novo é apresentado, você consegue saber se ele irá se juntar ao elenco por toda a temporada ou se será apenas uma breve participação especial. Tem gente que desde o primeiro encontro tem cara de protagonista. Tem gente que, mesmo olhando de longe, você sabe que se encaixaria perfeitamente dentro do seu roteiro, gente que já tinha um papel antes mesmo daquele papel ser criado.

Eu tenho esse olhar treinado para triagem de protagonistas. Gosto de capturar pessoas em pensamento antes mesmo de trocar com elas qualquer palavra, gosto de saber e de dizer que soube desde o início.

Não obstante, protagonistas são criaturas difíceis de serem encontradas, não aparecem com placas e luzes neon a cada virar de esquina e, entre um protagonista e outro, nos viramos com os coadjuvantes. Não me levem a mal, coadjuvantes são essenciais para o desenrolar de qualquer história, muitas vezes são promovidos a personagens mais do que essenciais e ganham prêmios, aplausos e fã-clubes. Entretanto, você olha um coadjuvante pela primeira vez e sabe que ele jamais será um protagonista, sabe que, em breve, ele cairá em um poço de elevador, se mudará inesperadamente para a Sibéria ou simplesmente irá se afastar e vocês perderão o contato até mesmo pelo Facebook, sem qualquer curtida de foto residual.

O olhar de um coadjuvante não paralisa ninguém, não dá frio na barriga, não te faz perder o apetite. O toque de um coadjuvante não tem eletricidade, te cobre da mesma forma como te cobriria um lençol, sem alterar os batimentos cardíacos ou a permeabilidade da pele, sem desorganizar as células. A conversa de um coadjuvante não tem qualquer propriedade mágica, não pode te teletransportar para o futuro ou mesmo para um planeta distante, as piadas de um coadjuvante só terão graça se forem mesmo engraçadas e nem todos os seus assuntos serão interessantes.

Eu consigo gostar de determinadas pessoas antes mesmo de gostar, consigo saber com extrema precisão quem são aquelas que me pertencem e as que jamais me pertencerão. Eu tenho esse dom peculiar de saber quando alguém veio para fazer parte da minha vida e, um dia, quando você menos esperar, eu vou te olhar e dizer que já sabia desde o início.

E você, eu sempre soube que seria a minha protagonista.

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