Eu ligo os seus pontos, como um
passatempo impresso no jornal de domingo ou um jogo complicado que ninguém sabe
explicar.
Você pode pegar o verso da caixa e ler
as instruções?
Não consigo entender as regras do seu
dermografismo, as pintas são muitas, digo, os pontos, que são as suas pintas e
que eu ligo formando quadrados ou sorrisos. A sua pele inteira me sorri com os
rabiscos da unha e eu me incluo em você pelo hábito de te ligar - os pontos.
Todos eles, depois de conectados por mim, formam constelações de pintas e de
formas geométricas que só eu conheço e que pretendo, um dia, nomear ou vender
na internet para que outros possam dar também nomes aos limites do seu corpo
pontilhado.
A ligação de pontos despretensiosa,
que era para ser uma brincadeira, transforma-se em colonização, te divido em
capitanias hereditárias e vou morar na principal; seu corpo, enquanto for meu e
suas pintas, enquanto forem pontos, serão considerados um serviço de utilidade
pública, não para o uso coletivo, mas para a função de mapa, bem daqueles que
ficam pendurados na estação do metrô e que permitem a um estrangeiro perdido
encontrar sua estação.
O meu destino final foi um tanto
difícil de desenhar, ficou pouco evidente no meio do emaranhado de tantas
linhas e traços e pontos que eu liguei e desliguei e fiz com que sorrissem para
mim na sua pele, mesmo sem ter lido o manual, mesmo com as peças faltando e as
cartas fora do lugar.
Você pode fazer vinte perguntas para
descobrir a minha localização, não estou na sala de jogos, na biblioteca e nem
segurando um castiçal na sala de jantar, avance cinco casas, agora volte três,
talvez um pouco mais para a direita, fiquei uma rodada sem jogar e acho que me
perdi outra vez, vamos, tire a roupa, preciso abrir o meu mapa e te consultar.
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